Mineração enfrenta fim do superciclo das commodities

06/05/2015
Imagem: Reprodução/Internet
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No início do século vínhamos de momento de grande insegurança no Brasil porque, assim como no governo atual, depois de quatro anos de Plano Real, estávamos com política monetária frouxa. No primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, o superávit fiscal era limitado. Houve um processo necessário, em um primeiro momento, de fazer um ajuste fiscal seguido pela eleição de um governo popular que trouxe grande insegurança aos mercados, e o florescimento da China, que teve impacto decisivo sobre as operações das grandes mineradoras mundiais, inclusive a Vale.

Houve, no setor, necessidade de desenvolver projetos muito robustos e, ao mesmo tempo, construir rapidamente infraestrutura, uma vez que os governos de modo geral não foram capazes de fazê-lo. Também tivemos o surgimento da África como uma nova fronteira de exploração mineral.

A criação, a automação, a tecnologia e a inovação se fizeram presentes no setor de forma forte, assim como a preocupação com a sustentabilidade. Tivemos neste novo século uma mudança tecnológica muito grande.

As crises foram intensas. Tivemos a crise no Brasil de 2002-2003, com desvalorização cambial violentíssima em curto espaço de tempo, uma incapacidade da sociedade em entender a mudança que estava havendo. Depois tivemos renovação do mandato do presidente Lula e entramos em um ciclo muito favorável da China. Foi o terceiro superciclo no setor de mineração que observamos depois do ciclo americano no século passado e da reconstrução do Japão e da Europa, no pós-guerra. Nós que observávamos uma queda constante desde a década de 1970 nos preços das principais commodities, de repente vimos um aumento substancial.

O consumo de minério de ferro foi tão intenso que vimos a exaustão das reservas em rapidez muito grande. Como resultado, a capacidade das mineradoras de prover novas descobertas, fazer expansões e utilizar novas tecnologias tornou-se o grande desafio dos últimos anos.

Em termos de perspectivas, acreditamos que o superciclo das commodities acabou e que vamos ter que nos defrontar cada vez mais com novos desafios que passam por conviver com uma sociedade que demanda menos matéria-prima, mas é capaz de fornecê-la de forma mais eficiente.

Temos desafios de ambiente, de comunidade, de relacionamento institucional assim como de conviver com uma exploração que respeita cada vez mais o envolvimento do homem e do clima.

Fonte: Portos e Navios, com informações do Valor Econômico (escrita por Murilo Ferreira)

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