Empresas de celulose ‘seguram’ novos projetos e priorizam saúde financeira

14/01/2015
Steven Goodwin, SXC
Steven Goodwin, SXC

As empresas de papel e celulose vão focar na redução de seu endividamento em 2015, reduzindo investimentos em expansão. A Klabin cancelou qualquer grande investimento até a conclusão do projeto Puma, que consumirá R$ 3,4 bilhões do total de R$ 4,08 bilhões que a empresa pretende investir neste ano. Já a Suzano destinará 70% de seu investimento, de R$ 1,5 bilhão, à manutenção. Apesar de investir R$ 1,69 bilhão, alta de 5% sobre 2014, a Fibria adiou a decisão sobre sua nova fábrica em Três Lagoas (MS).

Para o analista do setor de papel e celulose do BB Investimentos, Victor Penna, o cenário está mais desafiador, já que os grandes projetos entrarão em operação no curto prazo. "Não há por que partir para novos investimentos além daqueles já aprovados, porque a pressão de custos está maior". Segundo Penna, existe ainda a inflação sobre matéria-prima e equipamentos, e o câmbio volátil, que desafia a definição de um orçamento para novos projetos.

Reduzir a exposição ao câmbio e a alavancagem (dívida em relação ao Ebitda - lucro antes de juros, tributos, depreciações e amortizações) é o principal objetivo da Suzano. "O foco é a desalavancagem e não terá projetos orgânicos enquanto (o índice de alavancagem) não cair para 2,5 vezes", disse o presidente da empresa, Walter Schalka, em reunião com analistas e investidores, em novembro. Hoje, a alavancagem da Suzano está em 4,5 vezes. No fim do terceiro trimestre, a dívida líquida atingiu R$ 9,777 bilhões, pressionada pela alta de 11% do dólar no período.

Ao chegar à Suzano, em 2013, Schalka cancelou todos os novos investimentos - orientação que deve ser mantida agora. O último grande investimento da empresa em expansão foi a unidade de Imperatriz, no Maranhão, inaugurada em 30 de dezembro de 2013, fruto de um investimento de US$ 2,4 bilhões.

A Klabin também interromperá investimentos nos próximos anos diante do endividamento. A dívida líquida total subiu 12% em 2014, para R$ 4,028 bilhões, e a alavancagem era de 2,4 vezes no terceiro trimestre, contra 1,7 vez no segundo trimestre. Segundo o diretor-geral Fábio Schvartsman, projetos serão retomados apenas após a conclusão do Projeto Puma, previsto para março de 2016.

Captação

Para Carlos Farinha e Silva, vice-presidente da consultoria Pöyry, as empresas precisam recuperar a saúde financeira depois de ter realizado grandes projetos. A meta é manter o acesso ao crédito. Farinha menciona que a Fibria, por exemplo, trabalha para manter o grau de investimento e, assim, continuar a captar no mercado internacional.

Recentemente, a companhia concluiu um empréstimo sindicalizado no exterior de US$ 500 milhões, com prazo médio de cinco anos. A oferta chegou a US$ 680 milhões, mas a companhia optou por permanecer em US$ 500 milhões, já que era o montante necessário para trocar dívidas mais caras, segundo o diretor de finanças e relações com investidores da empresa, Guilherme Cavalcanti. Ele destacou que a operação permitiu a Fibria de uma economia de mais de US$ 8 milhões ao ano a partir de 2015.

Ao fim do período de julho a setembro deste ano, a alavancagem da Fibria caiu para 2,7 vezes, contra 3 vezes no mesmo período do ano passado. A dívida líquida também recuou, 11%, para R$ 7,313 bilhões. Mesmo assim, a empresa ainda não "destravou" a ampliação de sua capacidade em Três Lagoas (MS). Os investimentos de R$ 1,69 bilhão da companhia serão usados principalmente para modernização da empresa, compra de madeira e renovação florestal.

A decisão sobre Três Lagoas (MS), antes prevista para o fim de 2014, ainda não foi tomada. A companhia informou que o conselho de administração deve discutir o tema ainda no primeiro trimestre. A nova unidade adicionaria 1,75 milhão de toneladas de capacidade à unidade da Fibria que já produz 1,3 milhão de toneladas ao ano. Colaborou Altamiro Silva Júnior, correspondente em Nova York.

Fonte: Repórter Diário, com informações de AE

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